Nunca agir sob emoção: haveria de errar tudo. Não haja por si quem não está em si, pois a paixão sempre expulsa a razão.”
Baltasar Gracian, 1601-1658
Jesuíta espanhol
A demissão é quase sempre gerada pelo próprio profissional demitido, apesar de atribuída equivocadamente na maioria das vezes à empresa.
Contribuem para a auto demissão inúmeros fatores: falta de objetivos claros em nível pessoal e profissional; ausência de comprometimento com o que empreende; obsolescência técnica, gerencial e humanística; falta de disciplina e determinação; inabilidade política e falta de visibilidade; insatisfação com o trabalho que executa, entre incontáveis outros fatores.
Estevão Garrido, nome fictício, ilustra com propriedade, a história de milhares de profissionais que são dispensados todos os anos das organizações. Formado em engenharia em faculdade de primeira linha, fluente em inglês, carreira empreendida em empresa multinacional de grande porte, foi demitido após 15 anos de trabalho ininterruptos.
Assessorado pela Gutemberg Consultores em seu processo de transição de carreira, “outplacement”, ao ser questionado sobre os motivos de sua demissão, declarou: “Apesar de estar insatisfeito com o meu trabalho há bastante tempo, não fiz nada para mudar. Optei por permanecer na zona de conforto. Além disso, estava desatualizado em minha área de trabalho.”
A demissão é um evento traumático, não importa qual foi a sua circunstância, se gerada pelo próprio profissional ou por eventos que fugiam ao seu controle – crise econômica, reestruturação, mudança de superior imediato, fechamento de fábrica ou transferência para outro estado ou país, etc.
Infelizmente, muitos profissionais confundem os papeis que exercem com a própria vida. Consequentemente, quando demitidos, eles se sentem como verdadeiros órfãos. O sentimento comumente observado é de alguém que viu o chão se abrir sob os próprios pés – “o mundo desabou sobre eles”.
Nesse momento, muitas vezes, os profissionais perdem o autocontrole e ficam tomados por sentimentos negativos, i.e., a raiva. Sêneca, filósofo latino, 4 a.C.-65 d.C., em Cartas a Lucílio, 18.15, escreveu: “Ingentis irae exitus furor est, et ideo ira vitanda est non moderationis causa, sed sanitatis”. (“Uma ira desmedida acaba em loucura; por isso, evita a ira, para conservares não apenas o domínio de ti mesmo, mas também a tua própria saúde.)
Caro leitor, se você for demitido, não importa a sua causa, procure a todo preço manter a sua dignidade – mantenha a sua cabeça erguida. Comporte-se de maneira altiva, autoconfiante e seguro de si mesmo.
É de vital importância essa postura, visto que terá de negociar o seu pacote financeiro, o que será dito ao mercado sobre sua demissão – referencias pessoais – e encarar a acirrada competição no mercado de trabalho. Sem “peace of mind” será extremamente difícil se conduzir em sua nova fase de vida. Há um provérbio cingalês do século XVII que diz: “A cólera do homem excelente dura um instante; a do medíocre dura duas horas; a do homem vulgar, um dia e uma noite; a do malvado não cessa jamais.”
Aqui estão algumas recomendações que objetivam orientar os leitores por ocasião de sua saída de uma empresa:
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