Salomão é inspiração para Gutemberg B. de Macedo, presidente da Gutemberg Consultores de gestão de capital intelectual. Bacharel em ciências jurídicas e sociais e com mestrado em Teologia, nos Estados Unidos, escreveu dez livros e mais de dois mil artigos sobre administração moderna, em revistas especializadas.
Autor de “O Princípio da Sabedoria” (Arx, 2009), ganhador do Prêmio Jabuti em 1993, com o livro “Fui demitido, e agora?”, Macedo conversou com a reportagem do Leitura Corporativa sobre Salomão, sabedoria e seu mestrado em Teologia.
Leitura Corporativa: O que motivou o senhor a escrever o livro “O Princípio da Sabedoria” e basear-se em Salomão?
Gutemberg Macedo: Estudo os provérbios de Salomão desde os sete anos de idade. À medida que fui adquirindo maturidade adotei-o como meu coach, mentor, conselheiro e mestre. Salomão tem mais de 3.500 provérbios, dos quais temos registro de 1.000 aproximadamente. Eles tratam sobre os mais diferentes assuntos, como a importância da sabedoria e do conhecimento; o valor do trabalho e a vulnerabilidade do homem preguiçoso; a brevidade da vida; o poder do silêncio e a vulnerabilidade do falar; o lugar ideal para educar um filho; a justiça; o homem insensato e iracundo (propenso a manifestar a ira); ética e governança corporativa; a esperança e o amor; a soberba; a mulher ideal, entre outros assuntos. Acredito que todos eles têm aplicação em nossos dias – no lar, na escola, na empresa e na vida do executivo moderno.
LC: “O Princípio da Sabedoria” não foi seu primeiro livro, mas um de uma série de obras. O senhor já tem planos para lançar outros títulos?
GM: Já publiquei dez livros e mais de 2.000 artigos versando sobre diversos assuntos. Adoro estudar, pesquisar e escrever. Todas as semanas escrevo para a UOL www.empregocerto.com.br e para o site www.principiodasabedoria.com. Anteriormente, durante nove anos colaborei com a revista Você S/A. Tenho dois novos livros sobre a minha mesa. Espero poder publicá-los brevemente.
LC: Em “O Princípio da Sabedoria”, o senhor diz que a sabedoria está sendo deixada em segundo plano atualmente, em tempos de alta competitividade. Por quê?
GM: Existem vários motivos que contribuem para o desprezo do conhecimento e da busca da sabedoria: esses dois assuntos não são valores para muitos profissionais; a pressão do dia-a-dia que consome as melhores horas do dia; a falta de hábito e da disciplina na busca de novos conhecimentos; o apego ao materialismo exacerbado; a superficialidade nas questões humanas, etc.
LC: Como foi ganhar o Prêmio Jabuti?
GM: Sou o primeiro e até agora o único consultor de recursos humanos do país, a ganhar esse prêmio de tamanha envergadura em nível nacional. Sinto-me extremamente gratificado, orgulhoso e motivado a continuar a minha obra e missão – disseminar conhecimentos.
LC: O senhor afirma, nos seus artigos, que Deus abomina a mediocridade. Como define a mediocridade? E por que Deus a abomina? O que devemos fazer para evitá-la, tanto na vida profissional quanto na pessoal?
GM: A mediocridade é vista e encontrada em todas as instituições nacionais públicas e privadas. Ela é caracterizada pelo superficialismo, artificialismo, a banalidade, a falsa amabilidade, imediatismo, baixa produtividade, incompetência gerencial, desvalorização da educação e da cultura, desperdício, entre outros comportamentos. Deus abomina a mediocridade porque ele criou tudo perfeito e a sua marca é a excelência. No universo tudo tem ordem, daí porque somos capazes de fazer viagens interplanetárias com sucesso. A mediocridade não é algo de origem genética. Ela é desenvolvida ao longo dos anos, quando deixamos de pensar de maneira crítica e independente; quando ignoramos os livros e os estudos e passamos a viver e a trabalhar tendo como base conceitos passados e ultrapassados; quando resistimos às mudanças e nos tornamos obsoletos; quando não temos nenhum interesse em mudar os nossos maus hábitos; quando preferimos a superficialidade e o fácil… Mas ela pode ser vencida. Como?
1. É preciso deixar a “Caverna de Platão”.
2. É vital buscar permanentemente novos saberes em diferentes áreas do conhecimento humano.
3. É de fundamental importância combatê-la aonde quer que a encontremos na universidade, na empresa pública ou privada, etc.
4. É necessário que sintamos vergonha de participar de sua influência, negativa e nefasta.
5. É preciso assumir nova postura diante da vida e da carreira.
6. É preciso afastar das organizações os profissionais medíocres – são eles os responsáveis pelos grandes fracassos.
7. É necessário valorizar a educação – da 1ª série à universidade.
8. As organizações necessitam formar conselhos formados por homens sábios.
9. “Feedback” deve se constituir em força propulsora do crescimento pessoal em todos os sentidos.
10. Mérito, mérito, mérito pessoal deve se constituir a força dominante nas organizações, etc.
LC: O que o motivou a fazer um mestrado em Teologia nos Estados Unidos? Como esse estudo influenciou seu trabalho e sua carreira?
GM: Fui líder religioso durante minha juventude dos 15 aos 28 anos. Aos 21 anos ocupei a presidência da Jucial – Juventude Cristã da América Latina, fui vice-presidente da ICY – Internacional Christian Youth aos 23 anos, fundei e fui presidente da Associação da Juventude Cristã do Nordeste aos 19 anos, e fui presidente do grêmio do Colégio Batista Bereiano em Natal aos 18 anos. Todas essas experiências me levaram a desejar empreender uma carreira no campo religioso. E, para tal era necessário preparo, muito preparo. O estudo do direito e da teologia me expuseram a diferentes saberes – Teologia, Filosofia, Ética, História, Antropologia, Sociologia, Política, Psicologia, etc. O arsenal de conhecimentos adquiridos ao longo dos anos me tornaram um profissional com mente aguçada, crítico consciente e amante dos livros e do saber.
LC: Quais os livros que o senhor recomenda para quem procura a excelência no trabalho e na vida pessoal? E para evitar a mediocridade?
GM: É difícil determinar que livros devem ser recomendados para a leitura de seus leitores. Mas de uma coisa tenho certeza: é preciso saber que há dois tipos de escritor, como observou o filósofo alemão Arthur Schopenhauer (1788-1860): “os que escrevem por amor do assunto (os melhores)” e “os que escrevem por escrever (os piores) esses precisam de dinheiro.” De qualquer maneira, há livros que são indispensáveis, como A Divina Comédia de Dante; A Cidade de Deus de Santo Agostinho; A Política de Aristóteles; Conferências Sobre Retórica & Belas Artes, de Adam Smith; Shakespeare – The Invention of the Human de Harold Bloom; Obras completas de Leão Tolstoi; On Becoming a Servant Leader de Robert Greenleaf; A Treatise of Human Nature David Hume; Paidéia – A Formação do Homem Grego de Werner Jaeger; Management Challenges for the 21st Century Peter F. Drucker; Management – Peter Drucker; Ensaios de Michel de Montaigne; The Origin of Wealth de Eric D. Beinhocker; Economy and Society de Max Weber; Riqueza Revolucionária de Alvin Toffler; A Dança das Mudanças de Peter Senge; Tomorrow’s Hr Management; Teoria Geral da Política de Norberto Bobbio; A História da Civilização de Will Durant; A Filosofia Moral de Jacques Maritain; The Visible Hand de Alfred D. Chandler; e biografias.
Comments are closed.
| S | T | Q | Q | S | S | D |
|---|---|---|---|---|---|---|
| « jul | ||||||
| 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | ||
| 6 | 7 | 8 | 9 | 10 | 11 | 12 |
| 13 | 14 | 15 | 16 | 17 | 18 | 19 |
| 20 | 21 | 22 | 23 | 24 | 25 | 26 |
| 27 | 28 | 29 | 30 | |||